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quarta-feira, 22 de julho de 2009

António Alberto de Carvalho e Castro

O Sr. António Alberto de Carvalho e Castro publicou no Jornal “Terra Quente” de 1 de Julho de 1998, uma notícia sobre um seu parente homónimo, que animou Moncorvo na transição do séc. XIX para o XX. Aqui fica o extracto desse artigo.

“PORTUGUESA DE DESPORTOS
(…)
Desfolhava as páginas de “A Bola” no longínquo ano de 1950 quando deparei com uma local que rezava assim: - ‘No próximo número entrevista com António Alberto de Carvalho e Castro’.

Que diabo… Ninguém me contactou! Só que… mercê dum esforço inaudito na gestão dos “parcos” subsídios paternos com tendência para o superlativo absoluto de inferioridade … Lá comprei a dita Bola e me deparei com uma entrevista com o meu homónimo e, pasme-se, Moncorvense.

Tratava-se nem mais nem menos dum filho do meu tio avô – de igual nome – nascido em Moncorvo por volta dos anos 80 e muitos do século passado [XIX], conhecido pelo “sobriguet” de Carvalho Marmeleiro, nome duplamente arbóreo, resultante de ser neto do Visconde do Marmeleiro, e famoso pelas suas façanhas mais ou menos rocambulescas feitas em parceria com a rapaziada durante aquele tempo.

Num dos Carnavais dos idos desse fim de século, dedicava-se a percorrer os diversos sotos da nossa vila, sempre falando em prosa rimada repleta de espírito e em que aludia a acontecimentos sociais sucedidos na vila.

Mas o motivo próximo da sua emigração forçada para o Brasil baseou-se no facto de naqueles tempos todos os dias circular ao anoitecer por Moncorvo uma pipa de ferro que recebia os dejectos das várias casas do burgo.

Essa pipa em seguida era despejada na zona do Prado e a graça popular pôs ao local o nome de “Jasmineira”.

Pois certa noite de pândega, o grupo apoderou-se da pipa e despejou-a em plena praça de Moncorvo o que constituiu um grande pastelão…

Logicamente as autoridades de então, zelosas dos bons costumes da terra, quase restauraram a Inquisição e apodaram de heresia tal procedimento… E os bons antecedentes do dito senhor quase o levaram à prisão.

Nesta eminência, a família achou por bem proceder à sua evacuação compulsiva para terras de Santa Cruz.

Perderam-se certamente momentos de alegre patuscada, mas ganhou-se um Presidente de um grande Clube [Portuguesa de Desportos].

António Alberto de Carvalho e Castro”

4 comentários:

Júlia Ribeiro disse...

Que estória tão interessante! A realidade encarrega-se destas coincidências e destas graças . A ficção mais não faz do que ir atrás dela.
Júlia

PS - Vou estar fora a partir de hoje até dia 15 de Agosto.
A todos os Amigos e Amigas e a todos os Blogueiros
um grande abraço e até breve
Júlia

Wanda disse...

Olá!
Como não poderia deixar de ser, meu marido(natural de Lousa-Moncorvo) é um apaixonado torcedor da Portuguesa , a quem os brasileiros chamam carinhosamente de Lusa.
Houve um presidente com esse apelido ,é Manoel Carvalho.Foi presidente da Lusa entre 1939 e 1941.
Aqui no Brasil homens e mulheres adoram futebol, a Lusa é o time que eu torço quando o meu preferido não está na disputa por título.
Pois é.. vocês perderam um poeta de rima e prosa e nós ganhamos um "cartola".
Quem quiser ver se reconhece mais um presidente da Portuguesa de Desportos, entre os que a presidiram ,dê uma olhada no site:
http://www.portuguesa.com.br/presidentes.asp
Abraços
Wanda
São Paulo, 22 de julho de 2009

Anónimo disse...

Adorei reler esta pequena estória.

De facto, guardo as melhores recordações desta e de outras estórias que o Sr. Carvalho e Castro publicou no jornal Terra Quente aquando do periodo aureo deste jornal qd. era director o A.J.Andrade que conseguiu transformá-lo numa pequena Brigantia.

Estórias ou crónicas do Sr. Carvalho e Castro, pessoa que só conheço de vistas, a par das do Gil T. foram ou estão no top das melhores prosas que li e tenho deparado em toda a minha vida.

Cps.

C.S.

Anónimo disse...

Também eu, indirectamente alertado por alguém mais atento e conhecedor destas coisas da escrita (refiro-me ao conterrâneo C.S.), tive grande gosto em reler Carvalho e Castro. O paralelo estabelecido com o Gil T. está bem visto.
Esta estória faz-me lembrar uma outra que se diz ter sucedido na nossa terra: um pai descontente e contrariado com o casamento da filha, enquanto decorria na igreja o casamento, dirigiu-se ao local onde se faria a boda. Subiu para a mesa repleta de iguarias e despejou literalmente o conteúdo intestinal em cima da dita. Verdade ou mentira, deve ter sido uma confusão tamanha! A estória anda na memória dos mais velhos. Dava um conto.

A. M.

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